🌿 SOBRE CAÇADORES, CORÇAS E VEADOS

🌿 SOBRE CAÇADORES, CORÇAS E VEADOS

Talvez este livro não seja exatamente sobre aquilo que o título sugere.

🔸 Carlos Henrique Musashi ✍🏽

Há títulos que explicam uma história. Outros preferem escondê-la.

Sobre Caçadores, Corças e Veados nasceu dessa segunda possibilidade.

À primeira vista, temos uma história ambientada no interior: mata, estradas de barro, homens acostumados à caça e animais que seguem as regras silenciosas da natureza. Há um velho caçador chamado Anselmo Vilar. Há uma corça. Há outro homem que deseja aquilo que não lhe pertence. E há, em algum lugar, um veado que começa a se comportar como se soubesse de alguma coisa que ninguém lhe contou.

Parece simples.

Não é.

🦌 Quando uma história começa a olhar de volta

Anselmo passou boa parte da vida acreditando conhecer a floresta. Sabia interpretar rastros, esperar, perseguir e decidir o momento de apertar o gatilho.

Até que, certo dia, diante de uma corça ferida, acontece algo aparentemente insignificante:

ele não atira.

É pouco.

Um dedo que não completa um movimento.

Mas algumas das maiores mudanças de uma vida começam exatamente assim — quando fazemos diferente aquilo que repetimos durante anos sem perguntar por quê.

E talvez seja aí que o verdadeiro problema comece.

Porque mudar não significa apagar quem fomos.

Às vezes significa justamente não conseguir mais fugir de quem fomos.

🎯 O que acontece quando alguém ouve um “não”?

Existe outra pergunta escondida no romance.

Por que algumas pessoas, quando desejam alguma coisa, começam a acreditar que têm direito a ela?

Dinheiro pode comprar muita coisa.

Influência também.

Poder abre portas.

Mas existe um tipo particular de ser humano que se torna perigoso quando encontra algo que não está à venda.

Baltazar Nunes entra na história por essa porta.

Ele não precisa chegar como vilão. Aliás, os homens mais perigosos raramente chegam anunciando aquilo que são.

Às vezes chegam sorrindo.

Conversam.

Oferecem.

Insistem.

E somente quando recebem um não descobrimos o que realmente havia por trás da cordialidade.

🌫️ E então existe a floresta...

Foi aqui que decidi permitir que a realidade do romance ficasse ligeiramente instável.

Não há magia declarada.

Não existem criaturas fantásticas.

Nenhuma voz sobrenatural explica coisa alguma.

Há apenas acontecimentos que parecem conhecer uns aos outros um pouco mais do que deveriam.

Um animal olha insistentemente para determinada direção.

Outro, quilômetros distante, reage.

Coincidência?

Instinto?

Destino?

Providência?

Ou somos nós que precisamos encontrar sentido quando a realidade começa a organizar suas peças de maneira incômoda?

Não respondo.

O leitor terá de decidir.

E talvez termine o livro ainda menos disposto a responder do que quando começou.

📖 Uma história sobre caça. Mas não apenas.

Enquanto escrevia Sobre Caçadores, Corças e Veados, percebi que havia uma pergunta atravessando silenciosamente toda a narrativa:

em que momento proteger deixa de ser possuir?

Essa fronteira é muito mais estreita do que gostamos de admitir.

É possível cuidar e aprisionar.

Amar e controlar.

Desejar e chamar o desejo de direito.

Também é possível passar anos repetindo determinado comportamento até que alguma coisa — ou alguém — nos obrigue a enxergá-lo de fora.

Anselmo não foi criado para ser santo.

Isso tornaria tudo fácil demais.

Ele carrega seu passado.

E justamente por carregá-lo precisa descobrir se um homem pode escolher um caminho diferente quando já caminhou longe demais pelo caminho errado.

Essa pergunta me interessa muito mais do que histórias sobre pessoas perfeitamente boas enfrentando pessoas perfeitamente más.

A vida raramente oferece personagens tão convenientes.

🔥 Há escolhas que demoram para apresentar a conta

Não direi o que acontece.

Posso dizer apenas que chega um momento em que as pequenas decisões tomadas por cada personagem começam a caminhar umas em direção às outras.

E o leitor percebe que alguma coisa está para acontecer.

Talvez consiga prever uma parte.

Provavelmente errará outra.

E é justamente nesse intervalo entre “acho que sei para onde isso está indo” e “espere... o que está acontecendo?” que eu gostaria de encontrá-lo.

Porque este não é um livro que pretendo explicar antes da leitura.

Quero que você entre na mata sem mapa.

Quero que conheça Anselmo antes de julgá-lo.

Que observe Baltazar antes de decidir o que ele representa.

Que encontre Bruma.

Que descubra Cervo.

E, sobretudo, que perceba aquilo que existe entre esses personagens.

🌿 Talvez seja apenas uma história sobre homens e animais.

Talvez seja uma fábula para adultos.

Talvez seja realismo fantástico.

Talvez seja uma história sobre desejo, posse, culpa, liberdade e consequências.

Ou talvez seja outra coisa que eu não deveria contar.

Porque algumas histórias perdem força quando o autor explica demais.

Esta precisa ser seguida como se seguem rastros na mata:

uma marca de cada vez.


📕 SOBRE CAÇADORES, CORÇAS E VEADOS

Carlos Henrique Musashi

Uma história de realismo fantástico, suspense psicológico e ficção brasileira contemporânea sobre aquilo que desejamos, aquilo que tentamos possuir e aquilo que talvez só possa permanecer conosco quando estiver livre.

A corça é uma corça.
O caçador é um caçador.
O veado é um veado.

Mas talvez esta história nunca tenha sido apenas sobre eles.

🔎 Em breve na Amazon Kindle.